p/ Gerana Damulakis que instigou
Amanheceste em mim
como um lírio atormentado
cheia de renúncia ao querer
eu fiquei tecendo quimeras
implorando a luz do arrebol
até que viesses sem pressa
despir o silêncio desse agora
*retirado de mileumpoemas.blogspot.com
Domingo, Dezembro 13, 2009
Quarta-feira, Dezembro 09, 2009
AUTO-CONTRASTE II
O rio consome a água
Como a veia consome o sangue
Como o sertão consome a enxada
Como a vida consome o dia
A resma consome a folha
Como o enxame consome a abelha
Como a tribo consome o índio
Como o cardume consome o peixe
O vento consome o sopro
Como a ilha consome o mar
Como o fogo consome a água
Como o amor consome a dor
A palavra consome o verso
Como a rima consome a estrofe
Como a língua consome o verbo
Como o espírito consome o corpo
Pouco a pouco
Pouco a pouco
* retirado de mileumpoemas.blogspot.com
Como a veia consome o sangue
Como o sertão consome a enxada
Como a vida consome o dia
A resma consome a folha
Como o enxame consome a abelha
Como a tribo consome o índio
Como o cardume consome o peixe
O vento consome o sopro
Como a ilha consome o mar
Como o fogo consome a água
Como o amor consome a dor
A palavra consome o verso
Como a rima consome a estrofe
Como a língua consome o verbo
Como o espírito consome o corpo
Pouco a pouco
Pouco a pouco
* retirado de mileumpoemas.blogspot.com
Segunda-feira, Novembro 23, 2009
as escolhas que eu me fiz e as escolhas que me fizeram
Minha memória e alguns filmes
O primeiro que me vem é A Comilança, acho que de Mário Monicelli, que tem, claro, Marcelo Mastroianni e, também, Ugo Tognazzi. Uma mistura voraz de gastronomia e sexo com um desfecho surpreendente. Afogando em Números de Peter Greenaway, engraçado não lembro exatamente o roteiro, virou uma obsessão para tentar localizar a numeração de cada cena. Cinema e jogo de xadrez. Ana e os Lobos de Carlos Saura com Geraldine Chaplin, inocência e luxúria. Visualizo o rosto da protagonista, agora, delicadamente.
Repulsa ao Sexo (Polanski) traz uma Catherine Deneuve absolutamente linda e a cena em que brotam mãos das paredes está eternizada. Zabriskie Point, de Antonionni, mistura a música do Pink Floyd com explosões em câmera lenta, corpos nus rolando nas dunas, pura psicodelia. Com muito custo, de tempo, um amigo me conseguiu uma cópia na internet e eu pude revê-lo. Mimi, o metalúrgico de Lina Wertmüller, com Giancarlo Gianinni, um puta ator que está impagável tentando conquistar uma matrona para se vingar da traição da mulher. Acho que é isso, e tudo o mais subjacente que a comédia sombreia do conteúdo político.
Dois filmes em que eu vejo similitudes: Kagemusha (Kurosawa) e O enigma de Kasper Hauser (Herzog). Dois protagonistas tentando encontrar a própria identidade, e dois mestres do cinema que abusam da fotografia, um mais sombrio o outro com paisagens abertas, mas ambos com desertos existenciais medonhos.
Outro filme que trilha a busca existencial através da memória é Amor, estranho amor (Walter Hugo Khoury). Ficou desvirtuado pela presença de uma futura celebridade, que na verdade era apenas acessório, adereço, na história. Tem o ator quase alterego do Khoury que eu não lembro o nome, interpretando o narrador-protagonista. Filme de nostalgia, daqueles que dão saudade do que fomos nós.
Para concluir essa pequena reminiscência outros dois filmes encantadores. Lições de vida, a primeira história de Contos de Nova York dirigida por Scorcese, com o gigante Nick Nolte, perfeito na interpretação do artista plástico, e a despudoramente sedutora Rosana Arquete. É uma aula de como fazer cinema com abusos magistrais de câmera lenta, fade-out, fade-in e uma trilha sonora de arrepiar que vai de Like Rolling Stone (Dylan), solo de violão de Django Reinhardt e um Pavarotti avassalador. Tenho uma cópia do filme, uma cópia da trilha sonora e sempre que possível insisto para os amigos assistirem. O desejo por uma mulher que nos consome, e pela qual nós pobres homens mortais enfrentamos o inferno com vigor e o paraíso com fervor.
E por fim, mais desejo, mais mulheres e atrizes duplicadas. Evidente que só podia partir de Buñuel e o seu Obscuro objeto do desejo. Assisti a duas sessões contínuas na primeira vez, queria ter certeza do que estava vendo. Depois vieram as elucubrações sobre a presença de duas atrizes para interpretar a mesma personagem, por sinal ambas lindíssimas. Fizemos até um grupo de estudo para dissecar a obra do Buñuel. E eis que depois de algum tempo ele revela que simplesmente já tinha gravado parte do filme com uma atriz e houve um desentendimento. Aí ele contratou outra e continuou o filme. Eu não acredito nem a pau nessa história do diretor. Para mim ele criou outra ficção, outro filme ao engendrar esse novo enredo. Vocês me entendem, não.
O primeiro que me vem é A Comilança, acho que de Mário Monicelli, que tem, claro, Marcelo Mastroianni e, também, Ugo Tognazzi. Uma mistura voraz de gastronomia e sexo com um desfecho surpreendente. Afogando em Números de Peter Greenaway, engraçado não lembro exatamente o roteiro, virou uma obsessão para tentar localizar a numeração de cada cena. Cinema e jogo de xadrez. Ana e os Lobos de Carlos Saura com Geraldine Chaplin, inocência e luxúria. Visualizo o rosto da protagonista, agora, delicadamente.
Repulsa ao Sexo (Polanski) traz uma Catherine Deneuve absolutamente linda e a cena em que brotam mãos das paredes está eternizada. Zabriskie Point, de Antonionni, mistura a música do Pink Floyd com explosões em câmera lenta, corpos nus rolando nas dunas, pura psicodelia. Com muito custo, de tempo, um amigo me conseguiu uma cópia na internet e eu pude revê-lo. Mimi, o metalúrgico de Lina Wertmüller, com Giancarlo Gianinni, um puta ator que está impagável tentando conquistar uma matrona para se vingar da traição da mulher. Acho que é isso, e tudo o mais subjacente que a comédia sombreia do conteúdo político.
Dois filmes em que eu vejo similitudes: Kagemusha (Kurosawa) e O enigma de Kasper Hauser (Herzog). Dois protagonistas tentando encontrar a própria identidade, e dois mestres do cinema que abusam da fotografia, um mais sombrio o outro com paisagens abertas, mas ambos com desertos existenciais medonhos.
Outro filme que trilha a busca existencial através da memória é Amor, estranho amor (Walter Hugo Khoury). Ficou desvirtuado pela presença de uma futura celebridade, que na verdade era apenas acessório, adereço, na história. Tem o ator quase alterego do Khoury que eu não lembro o nome, interpretando o narrador-protagonista. Filme de nostalgia, daqueles que dão saudade do que fomos nós.
Para concluir essa pequena reminiscência outros dois filmes encantadores. Lições de vida, a primeira história de Contos de Nova York dirigida por Scorcese, com o gigante Nick Nolte, perfeito na interpretação do artista plástico, e a despudoramente sedutora Rosana Arquete. É uma aula de como fazer cinema com abusos magistrais de câmera lenta, fade-out, fade-in e uma trilha sonora de arrepiar que vai de Like Rolling Stone (Dylan), solo de violão de Django Reinhardt e um Pavarotti avassalador. Tenho uma cópia do filme, uma cópia da trilha sonora e sempre que possível insisto para os amigos assistirem. O desejo por uma mulher que nos consome, e pela qual nós pobres homens mortais enfrentamos o inferno com vigor e o paraíso com fervor.
E por fim, mais desejo, mais mulheres e atrizes duplicadas. Evidente que só podia partir de Buñuel e o seu Obscuro objeto do desejo. Assisti a duas sessões contínuas na primeira vez, queria ter certeza do que estava vendo. Depois vieram as elucubrações sobre a presença de duas atrizes para interpretar a mesma personagem, por sinal ambas lindíssimas. Fizemos até um grupo de estudo para dissecar a obra do Buñuel. E eis que depois de algum tempo ele revela que simplesmente já tinha gravado parte do filme com uma atriz e houve um desentendimento. Aí ele contratou outra e continuou o filme. Eu não acredito nem a pau nessa história do diretor. Para mim ele criou outra ficção, outro filme ao engendrar esse novo enredo. Vocês me entendem, não.
Sexta-feira, Novembro 20, 2009
madrigal de amantes
inspirado em poema da Nina Rizzi
quando finda o tempo de nós dois
dez mil sóis se ninam em orgasmo
fecundam perguntas sem respostas
fica esse visgo na pele do teu pasto
quando finda o tempo de nós dois
formam laços agridoces na solidão
o céu desaba jasmins domesticados
e tudo plasma o espanto do agora
*retirado de mileumpoemas.blogspot.com
quando finda o tempo de nós dois
dez mil sóis se ninam em orgasmo
fecundam perguntas sem respostas
fica esse visgo na pele do teu pasto
quando finda o tempo de nós dois
formam laços agridoces na solidão
o céu desaba jasmins domesticados
e tudo plasma o espanto do agora
*retirado de mileumpoemas.blogspot.com
Quarta-feira, Novembro 11, 2009
Mosaico
colei migalhas na minha língua
à espera do vaticínio do beijo
que talvez viesse,
colei migalhas nestas palavras
à espera do vaticínio do verso
que talvez alumbrasse,
colei também esta paisagem branca
como fundo de um retrato atônito
que talvez cegasse.
à espera do vaticínio do beijo
que talvez viesse,
colei migalhas nestas palavras
à espera do vaticínio do verso
que talvez alumbrasse,
colei também esta paisagem branca
como fundo de um retrato atônito
que talvez cegasse.
Quinta-feira, Novembro 05, 2009
canção de enganar o vento II *
eu bem te disse que havia desvios
e nem todo caminho leva ou conduz
que as flores na ribanceira pendem
se ruflam e se riem daquele abismo
eu bem te disse pequenas verdades
tolas todas em formato de petiscos
embrulhadas em papel fino e barato
feito sortilégios de alguma cigana
eu bem te disse e fiz disso oferenda
como esse corpo vazio que se esquece
esse destino sem rotas, sem bússola
o tropego desafio de querer resistir
eu te disse quase tudo que já sabias
e lancei ancora neste terno desterro
valseando em velas e quilhas e portos
sendo relâmpago inútil do que é pouco
* retirado de mileumpoemas.blogspot.com
e nem todo caminho leva ou conduz
que as flores na ribanceira pendem
se ruflam e se riem daquele abismo
eu bem te disse pequenas verdades
tolas todas em formato de petiscos
embrulhadas em papel fino e barato
feito sortilégios de alguma cigana
eu bem te disse e fiz disso oferenda
como esse corpo vazio que se esquece
esse destino sem rotas, sem bússola
o tropego desafio de querer resistir
eu te disse quase tudo que já sabias
e lancei ancora neste terno desterro
valseando em velas e quilhas e portos
sendo relâmpago inútil do que é pouco
* retirado de mileumpoemas.blogspot.com
Domingo, Outubro 25, 2009
Outro fadinho
talvez não calhe a dor
arranhando o silêncio
no cenário desta tarde
bem eu sei, bem eu sei
sei pois que não calha
soluços a qualquer hora
mas cá estou eu, eu só
ruminando os girassóis
neste porto vário de ócio
arranhando o silêncio
no cenário desta tarde
bem eu sei, bem eu sei
sei pois que não calha
soluços a qualquer hora
mas cá estou eu, eu só
ruminando os girassóis
neste porto vário de ócio
Assinar:
Postagens (Atom)


